Quando Dizer “Não” Vira Sentença: A Violência que Quase Tirou a Vida de Alana e Escancara o Perigo do Silêncio
- Nilson Carvalho
- há 1 hora
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O que deveria ser apenas um “não” — simples, legítimo e respeitável — quase terminou em morte. Em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a estudante Alana Anisio Rosa, de apenas 20 anos, luta pela vida após ser brutalmente atacada dentro da própria casa. Foram mais de 15 facadas, muitas delas no rosto, desferidas por um homem que não aceitou ser rejeitado.
Alana nunca teve qualquer relacionamento com o agressor. O contato entre eles existiu apenas pelas redes sociais. Mesmo assim, o suspeito passou a enviar flores, chocolates e presentes repetidamente, sem retorno algum. O que para muitos poderia parecer insistência romântica, na prática era um sinal claro de obsessão — um alerta que a sociedade ainda insiste em romantizar.
Orientada pelos pais, Alana respondeu de forma educada ao pedido de namoro feito em dezembro. Explicou que estava focada nos estudos e sonhava em cursar medicina. Um direito básico: escolher seus próprios caminhos. Mas o agressor não aceitou a negativa.
Dias depois, ele foi até a residência da jovem. Na primeira tentativa, foi afastado pelo cachorro da família. No dia seguinte, voltou armado e atacou. A mãe encontrou a filha coberta de sangue, com cortes profundos no rosto e em várias partes do corpo. Alana passou por uma cirurgia de cinco horas, chegou a apresentar melhora, mas teve o quadro agravado e precisou ser entubada e colocada em coma induzido.
A Justiça converteu a prisão do suspeito em prisão preventiva, reconhecendo a gravidade do crime, enquadrado como tentativa de feminicídio. Mas a pergunta que ecoa é dura e necessária: quantas mulheres ainda precisarão quase morrer para que a sociedade leve o “não” a sério?
Este caso não é isolado. Ele revela uma cultura perigosa, onde a rejeição feminina é vista como afronta, onde o controle é disfarçado de afeto e onde o limite imposto por uma mulher é tratado como provocação. Quando a violência chega a esse nível, ela não nasce do nada — ela cresce no silêncio, na omissão e na normalização do abuso.
A mãe de Alana fez um apelo que atravessa qualquer manchete: pediu justiça não só para a filha, mas para todas as mulheres que vivem sob o medo de serem punidas por exercer sua liberdade. Seu clamor não é apenas por punição, mas por mudança.
Este episódio precisa servir de alerta para famílias, escolas, autoridades e para toda a sociedade. Presente não é amor quando não há consentimento. Insistência não é romance quando ignora a vontade do outro. E silêncio nunca será neutralidade — é cumplicidade.
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Porque enquanto fingirmos que isso é exceção, mais mulheres continuarão sendo atacadas por fazer o básico: escolher.
O silêncio também mata.
Por: Nilson Carvalho
Foto: Internet



