Quando a Cultura Toma Conta do Povo: MAM Bahia Vira Palco de Arte, Educação e Resistência Popular
- Nilson Carvalho

- há 2 dias
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Por dois dias, o Museu de Arte Moderna da Bahia deixa de ser apenas um espaço de contemplação e se transforma em território vivo de encontro, aprendizado, afeto e reflexão. A Virada Cultural, realizada nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro, ocupa cada canto do MAM-BA — dos pátios às galerias, do chão da capela ao galpão das oficinas — e mostra, na prática, como a cultura pode (e deve) servir ao povo.
Sob o discurso oficial de “arte, educação e convivência”, a programação entrega muito mais do que entretenimento: ela provoca, inclui e educa. Em um estado onde o acesso à cultura ainda é privilégio para poucos, ações como essa levantam uma pergunta urgente: quem ganha quando a cultura é democratizada? A resposta é simples e direta — ganha o povo.
Logo no sábado pela manhã, o Projeto Social Pérolas da Gamboa, com uma aula aberta de jiu-jítsu, já dá o tom do evento: cultura também é corpo, disciplina, autoestima e oportunidade. Crianças, jovens e adultos se misturam em atividades que não exigem ingresso caro, linguagem rebuscada ou conhecimento prévio. Aqui, ninguém é excluído por não “entender de arte”.
Ao longo do dia, oficinas de gravura, cordel, cerâmica e xilogravura transformam o Galpão das Oficinas em um verdadeiro canteiro de criação coletiva. É arte feita com as mãos, com o suor, com a história popular pulsando em cada traço. Isso não é detalhe: é formação, é geração de renda futura, é estímulo à criatividade como ferramenta de sobrevivência social.
A música, presente do início ao fim, cumpre seu papel ancestral de unir pessoas. Do samba ao choro, do instrumental à JAM no MAM, o que se vê é um público diverso ocupando um espaço que, por muito tempo, foi visto como distante da realidade das periferias. Quando o povo ocupa o museu, o museu cumpre sua função social.
No domingo, o foco nas famílias e nas crianças revela outro acerto da ação: investir no futuro. Yoga ao amanhecer, cinema infantil, oficinas lúdicas e apresentações interativas mostram que cultura também cuida da mente, do emocional e da convivência familiar. Em tempos de telas excessivas e violência cotidiana, oferecer esse tipo de vivência é um ato político e social.
É importante dizer: a Virada Cultural faz parte de um projeto do Governo do Estado, por meio da SecultBA. Reconhecer isso não impede o olhar crítico. A pergunta que fica é: essas ações serão contínuas ou apenas eventos pontuais para fotos institucionais? Porque cultura de verdade não pode ser sazonal. Precisa ser política pública permanente, presente nos bairros, nas escolas, nas comunidades esquecidas.
Quando bem executada, como neste caso, a cultura gera pertencimento, reduz desigualdades, fortalece identidades e salva vidas — sim, salva. Porque onde há arte, há diálogo. Onde há diálogo, há menos violência. Onde há acesso, há esperança.
A Virada Cultural no MAM mostra que é possível. Agora, cabe à sociedade cobrar que não seja exceção, mas regra.
Cultura não é luxo. É direito. E quando o povo ocupa a arte, ninguém consegue mais silenciá-lo.
👉 Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.
Por: Nilson Carvalho
Foto: Internet







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