QUANDO A CASA VIRA CEMITÉRIO: ATÉ QUANDO O BRASIL VAI ENTERRAR MÃES E FILHOS VÍTIMAS DO FEMINICÍDIO?
- Nilson Carvalho

- 25 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Por: Nilson Carvalho – Papo de Artista Bahia
O que era para ser lar virou cena de horror. O que era para ser proteção virou sentença de morte. O crime brutal ocorrido na zona rural de Jaboticabal, no interior de São Paulo, escancara uma ferida aberta na sociedade brasileira: o feminicídio que mata mulheres e também destrói crianças, famílias e o futuro de um país inteiro.
Sabrina de Almeida Lima, de apenas 27 anos, foi assassinada pelo companheiro. Seus três filhos — Eduardo, Victor Hugo e Luiz Henrique, de 10, 8 e 6 anos — tentaram fazer o que qualquer criança faria: defender a própria mãe. Pagaram com a vida. Foram mortos a golpes de marreta pelo padrasto. Uma cena que desafia qualquer limite de crueldade humana.
Segundo a Polícia Civil, o crime foi premeditado. Após os assassinatos, os corpos foram escondidos em valas, numa tentativa fria de apagar vidas como se fossem descartáveis. O agressor ainda mentiu para familiares e autoridades, criando uma falsa narrativa de desaparecimento, enquanto as vítimas já estavam mortas. Mais do que um crime, foi um ato de covardia, dominação e ódio.
Do ponto de vista social, o caso expõe um problema que vai além da violência doméstica: a dependência, o isolamento e a falta de proteção efetiva às mulheres. Sabrina não tinha celular próprio. Seu contato com o mundo externo dependia do aparelho do companheiro. Isso não é detalhe — é alerta. Quantas mulheres vivem hoje sob controle total, sem voz, sem saída e sem rede de apoio?
E as crianças? O Brasil falha duplamente quando não protege as mulheres e abandona seus filhos à própria sorte. Esses meninos não morreram “por estarem no lugar errado”. Eles morreram porque tentaram salvar quem lhes deu a vida. São vítimas diretas do feminicídio, um crime que não começa no golpe final, mas no ciclo contínuo de violência, silêncio e negligência.
Até quando vamos tratar esses casos como estatística? Até quando vamos nos chocar por alguns dias e depois seguir a vida como se fosse normal enterrar mães e crianças? Feminicídio não é tragédia isolada. É resultado de uma sociedade que ainda relativiza a violência contra a mulher.
É preciso falar, denunciar, cobrar políticas públicas eficazes, acolhimento, proteção real e punição rigorosa. O silêncio mata. A omissão também.
Que a indignação vire voz, que a voz vire ação e que nenhuma morte seja em vão. Compartilhe, comente e levante essa discussão: enquanto o feminicídio existir, ninguém está seguro.
Foto: Internet







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