Praia é do Povo: Onde o Verão Ainda é Justo, Sem Abuso e Sem Medo em Salvador
- Nilson Carvalho

- 3 de jan.
- 3 min de leitura

Por: Nilson Carvalho
Ir à praia deveria ser sinônimo de descanso, alegria e liberdade. Mas, no Brasil de hoje, colocar o pé na areia tem virado um verdadeiro teste de resistência — financeira e emocional. Em vários destinos turísticos famosos, o lazer virou mercadoria de luxo, a faixa de areia pública foi “privatizada” na marra e o turista passou a ser tratado como refém de preços abusivos e até da violência.
Enquanto em lugares como Porto de Galinhas, Guarujá e Cabo Frio o que se vê são denúncias de agressões, consumação forçada e valores que assustam qualquer trabalhador, Salvador ainda resiste. E resiste porque tem algo poderoso: extensão de praia, diversidade e, principalmente, consciência popular de que a praia é do povo.
Sob o olhar de quem acredita que lazer também é direito social, fomos entender uma pergunta que ecoa neste verão: ainda dá para curtir praia em Salvador sem perrengue, sem abuso e sem medo? A resposta é clara: dá, sim — mas não em qualquer lugar, nem de qualquer jeito.
Quando o lazer vira humilhação
O que está acontecendo em algumas praias do Brasil é grave. Preços que ultrapassam R$ 400 por um peixe frito, R$ 350 por uma cadeira e até agressões físicas a quem se recusa a consumir não são “casos isolados”. São sintomas de um modelo de turismo predatório, onde o lucro atropela o direito coletivo.
Isso afeta diretamente o povo. Afasta famílias, exclui trabalhadores, cria tensão social e transforma o que era encontro em conflito. Praia não pode ser território do medo — nem do cartão de crédito estourado.
Cidade Baixa: o exemplo que dá certo
Na contramão desse caos, a Cidade Baixa de Salvador mostra que outro caminho é possível. Praias como Penha e Boa Viagem revelam um verão mais humano, acessível e respeitoso. Faixa de areia ampla, pouco assédio e preços que cabem no bolso do trabalhador.
Ali, quem leva seu cooler, sua cadeira e seu sombreiro não é tratado como inimigo. Quem escolhe consumir encontra valores justos. Um peixe frito custa até dez vezes menos do que em praias “badaladas” do Sudeste. E o mais importante: o clima é de paz.
Esse modelo beneficia todo mundo. O barraqueiro trabalha, o turista consome se quiser, a praia permanece pública e o verão cumpre seu papel social.
Porto da Barra e Farol: quando o limite é ultrapassado
Já em áreas como Porto da Barra e Farol, o cenário muda. Pouca areia, muita disputa e preços que variam conforme a “cara do cliente”. Sombreiros tomam quase todo o espaço e o banhista comum é empurrado para as extremidades.
Aqui, o problema não é só o preço — é a sensação de exclusão. Quando o cidadão se sente expulso de um espaço que é público, algo está errado. O lazer vira privilégio, e isso precisa ser debatido com seriedade pelo poder público.
Rio Vermelho e Orla Norte: entre diálogo e tensão
No Rio Vermelho e na Orla Norte, a realidade é mista. Há diálogo, há bom senso, mas também há assédio e abordagens agressivas. Onde existe conversa e respeito, a convivência funciona. Onde impera a intimidação, o conflito aparece.
Isso prova que o problema não é o barraqueiro, mas a falta de regras claras, fiscalização justa e educação para o convívio coletivo.
O que essa realidade ensina ao povo
Essa investigação mostra algo essencial: quando o espaço público é respeitado, o turismo cresce e o povo ganha. Quando vira terra sem lei, todos perdem — inclusive quem explora.
Defender praia acessível não é ser contra trabalhador informal. É ser a favor de um modelo justo, equilibrado e humano, onde ninguém precise escolher entre lazer e dignidade.
Conclusão
Salvador ainda permite curtir o verão sem financiar um peixe frito em 12 vezes, sem briga e sem humilhação. Mas isso exige escolha consciente, informação e, principalmente, cobrança social.
Porque praia boa não é a mais cara — é a que acolhe.
A praia é pública, o respeito é obrigatório e o verão só é bom quando cabe no bolso e no coração do povo. Concorda? Compartilhe e faça esse debate chegar mais longe.
Foto: Internet







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