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PRAIA É DO POVO OU MERCADORIA? O VERÃO ESCANCARA A DISPUTA PELA AREIA NA BAHIA


Por: Nilson Carvalho

 

O sol castiga, o calor passa dos 40 graus e o corpo pede alívio. Para o povo baiano, a praia sempre foi esse refúgio sagrado: espaço de descanso, encontro, liberdade e identidade cultural. Mas a pergunta que ecoa cada vez mais alto neste verão é direta e incômoda: o povo ainda tem direito às praias do Brasil?

 

Em Salvador e na Região Metropolitana, o simples ato de sentar à sombra virou um luxo. Em algumas praias, um kit com guarda-sol e cadeiras chega a custar até R$ 100. No Porto da Barra, um dos cartões-postais da capital, valores podem atingir R$ 80 por um sombreiro e R$ 30 por uma cadeira. Para muitas famílias, isso significa escolher entre aproveitar o dia ou ir embora derrotado pelo calor e pelos preços abusivos.

 

Verão quente, bolso sufocado

 

No auge do verão, quando a sensação térmica chegou a 44°C, a praia virou destino quase obrigatório. Mas o que deveria ser um direito coletivo tem se transformado em um negócio seletivo. Em alguns pontos, o aumento chega a quase 500% em relação à baixa temporada. O discurso é conhecido: “preço de turista”. Mas quem sofre mesmo é o trabalhador, o morador local, o pai e a mãe que só querem um espaço digno para os filhos brincarem.

 

É verdade que cobrar valores diferentes conforme local e época não é, por si só, ilegal. Especialistas em Direito do Consumidor explicam que o problema surge quando há aumento injustificado, informação enganosa ou coerção. Pior ainda quando a cobrança vem acompanhada de intimidação, como já ocorreu em outras praias do Nordeste, onde consumidores foram ameaçados ou agredidos por se recusarem a pagar valores alterados na hora do acerto.

 

Quando o público vira “privado”

 

O ponto mais grave não é apenas o preço, mas a ocupação da areia. Muitos banhistas relatam que se sentem constrangidos ao tentar estender uma canga ou usar seu próprio guarda-sol. A prática de “tomar conta” da faixa de areia cria uma sensação de privatização do espaço público. E isso é inaceitável.

 

Praia é bem comum, garantido por lei. Ninguém é obrigado a consumir um serviço para usufruir do espaço público. Quando isso acontece, o direito do cidadão está sendo violado.

 

Um passo adiante, mas ainda insuficiente

 

Medidas recentes da Prefeitura de Salvador, como a limitação do número de cadeiras e sombreiros por barraca no Porto da Barra, apontam um avanço importante. Organizar, ordenar e garantir espaço para quem não quer ou não pode pagar é fundamental. Mas o desafio é maior e precisa se estender a toda a orla, com fiscalização constante e diálogo com trabalhadores informais, sem criminalizar quem vive do turismo, mas sem esmagar o direito do povo.

 

Praia é identidade, não privilégio

 

A praia faz parte da alma do Brasil. É onde o pobre e o rico sempre dividiram o mesmo sol, o mesmo mar, o mesmo horizonte. Quando o acesso se torna caro, intimidante ou excludente, algo está muito errado.

 

Defender o direito à praia é defender dignidade, lazer, saúde mental e justiça social. O povo não pode ser empurrado para fora da areia por preços abusivos ou práticas ilegais.

 

 E você, já se sentiu expulso da praia? A areia é de quem pode pagar ou de quem vive nela? Compartilhe, comente e faça esse debate chegar mais longe.

 

Foto: Internet


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