O Município, o Servidor e a Política Raivosa
- Nilson Carvalho

- 19 de fev.
- 2 min de leitura

Não é de hoje que a polarização política trouxe para o nosso cotidiano a chamada "política raivosa". Com ela, perderam-se o respeito e a civilidade. Alguns dizem que este tipo de política nasceu a séculos atrás, ainda nos pós invasão do Brasil.
Em Camaçari, infelizmente, a perseguição política é uma prática recorrente, mesmo quando essa retaliação resulta na descontinuidade de políticas públicas que estão dando certo.
Independente da gestão, ações essenciais são abandonadas simplesmente porque não há interesse em manter projetos da gestão anterior, ou porque se deseja substituir técnicos qualificados por indicações políticas. Na maioria das vezes, isso precariza o trabalho ou interrompe o atendimento à população como um todo, principalmente a mais carente.
Não menos importante, salutar dizer que a política "raivosa" é movida pelo desejo de vingança e quando perpetrada contra o servidor efetivo, revela-se também uma profunda ignorância, já que servir ao munícipe é um dever do Estado (no caso o servidor, a mão executora das ações do Estado), não uma escolha ideológica.
Os políticos deveriam entender que servidor que aceita uma função gratificada ou um cargo comissionado o faz porque precisa do sustento, vai receber um pouco mais, podendo inclusive contribuir com sua cidade de forma mais efetiva, haja vista o seu conhecimento técnico acumulado, não existe vinculação política.
O Servidor efetivo busca realizar seu trabalho com dignidade e retornar para casa, independentemente da gestão “A" ou "B", o propósito do servidor é prestar um excelente serviço, pois ele trabalha para o Município.
Retirar um servidor de uma função importante por puro capricho não agride apenas o profissional; agride o povo de Camaçari. Foi assim no passado, é assim no presente e, se não mudarmos a cultura, continuará sendo no futuro. Essa política de vingança (muitas vezes pessoal) agride psicologicamente o servidor, mas o prejuízo maior é coletivo, é do povo: perde-se o capital intelectual de quem estudou e acumulou anos de experiência naquela função, muitas vezes, morre, temporariamente, o serviço público essencial e de qualidade.
Amadurecer politicamente é preciso. Entender que na política existem adversários, e não inimigos, isso é fundamental para compreender que não se deve quebrar relações interpessoais por conta de defesa de ideias distintas.
Não menos importante, devemos entender uma coisa, o servidor público segue o princípio da legalidade, atuando em benefício do município e não para ajudar e/ou prejudicar (como pensam alguns gestores) este ou aquele gestor, suas ações são técnicas, não políticas, são ações vinculadas a lei.
Por fim, por razões intrínsecas a uma “política raivosa”, perseguir o servidor, explorá-lo e não o remunerar devidamente pelo serviço prestado é pura maldade, por que não dizer um crime. Na política de sangue no olho, colocando no mesmo saco o joio e o trigo, a tendência é que o pão não seja bom para ninguém e os únicos prejudicados, de fato, são os munícipes que, diante do afastamento de profissionais competentes, sofrem com serviços precários e a ausência de políticas públicas essenciais.
Marcos Paulo Souza Sampaio
Servidor Público
Advogado




Comentários