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O Holocausto Brasileiro - Os horrores do hospital psiquiátrico de Barbacena Minas Gerais.



Pessoas de cabeças raspadas, anônimas ou chamadas por um nome que não é o seu. Nuas ou cobertas por farrapos. Raquíticas que se alimentam da carne crua dos ratos ou pombas que conseguem apanhar. Bebem água do esgoto ou até mesmo a própria urina. Dormem sobre o capim ou no chão duro. São espancadas, violentadas e eletrocutadas com tanta energia que a rede elétrica da cidade chega a cair. Mulheres grávidas que besuntam suas barrigas com as próprias fezes para que ninguém tenha coragem de lhes tocar, de lhes forçar um aborto. Pouco adianta. Assim que dão à luz, perdem as crias, que são mandadas para qualquer canto longe dali. Estão todas confinadas, internadas à força. Há quem diga que são loucas, mas cerca de 70% não têm diagnóstico algum.

São prostitutas, homossexuais, meninas indesejavelmente grávidas, esposas que perturbavam seus maridos por conta das amantes, alcoólatras, epiléticas, garotas que envergonharam seus pais por terem perdido a virgindade antes do casamento. Algumas são apenas tímidas ou depressivas. Pouco importa. Se estão internadas no maior hospício do Brasil, em Barbacena, Minas Gerais, é porque há motivo para ficarem isoladas da sociedade.

Mas nem tudo é desgraça. Muitos se beneficiam disso. Para começar, os poderosos que se livram de pessoas inconvenientes. Também se beneficia quem de alguma forma tira proveito dos detentos, seja explorando sua mão de obra, seja vendendo corpos dos que ali morrem para faculdades, seja derretendo em ácido (na frente dos internos ainda vivos) os corpos não vendidos, para que possam comercializar as ossadas. Quando o mercado pede algo e as mortes "naturais" andam em baixa, não há pudor em antecipar o dia final de alguns supostos loucos. Basta aumentar um pouco o sofrimento, como deixar que durmam ao frio relento da Serra da Mantiqueira. Enfraquecidos, raramente acordam.

Pelo que podemos saber, essas atrocidades fazem parte somente do passado do Colônia, como era conhecido o hospício de Barbacena. Mas a história do maior manicômio do Brasil, onde mais de 60 mil pessoas morreram, não pode ser esquecida. Parte das barbaridades que lá ocorreram são contadas no livro-reportagem 'Holocausto Brasileiro", escrito pela jornalista Daniela Arbex. Fosse ficção, boa parte do que revela seria inverossímil.

Texto Rodrigo Casarin

Imagem: Cena pátio do hospital psiquiátrico de Barbacena Minas Gerais.

Fonte:https:// paginacinco. blogosfera.uol. com .br/2019/03/19/ holocausto-brasileiro-os-horrores-do-hospital-psiquiatrico- de-barbacena/

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