Homem que matou professor da UFRB é solto após audiência de custódia
- Nilson Carvalho
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Por: Jornalista Nilson Carvalho – Embaixador dos Direitos Humanos e da Cultura, Defensor do Patrimônio Histórico e Cultural Brasileiro
A cada nova notícia como essa, sentimos o peso de viver em um país onde a vida parece valer cada vez menos. O professor Fabrício Dalla Vecchia, 44 anos, doutor em Educação Musical, músico, pesquisador e educador da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), tombou morto em plena BR-324 após uma briga de trânsito.
Dias depois, o acusado de atirar, Wagner do Nascimento Ferreira, deixou a prisão após uma audiência de custódia, sob a justificativa de que havia agido em legítima defesa.
E agora? Como fica a família? Como explicar para sua filha que o pai não voltará? Como consolar os colegas de trabalho, os amigos e os alunos que o viam como exemplo de dedicação à educação e à música?
A Justiça determinou que o acusado responda em liberdade, com medidas cautelares. Mas para quem perdeu um pai, um amigo e um professor, medidas não trazem de volta o que foi tirado. É nesse ponto que o clamor social grita: será que estamos mesmo protegidos? Ou a violência virou justificativa aceita diante da ausência de diálogo?
Esse caso levanta questões que vão além do crime em si:
Que sociedade estamos construindo quando um desentendimento no trânsito termina em morte?
Que exemplo deixamos para nossos jovens quando a violência parece ser a saída mais rápida?
Quem ampara de verdade a família dilacerada pela dor?
Como ativista social, não posso me calar. O professor Fabrício não foi apenas uma estatística. Era um homem de cultura, que dedicava a vida à música e à formação de novos talentos. Seu legado não se apaga com balas, mas a sua ausência escancara o vazio de uma perda irreparável.
E nós, como povo, precisamos refletir: será que a Justiça é apenas a aplicação fria da lei ou também deve ser o reflexo da proteção à vida e à memória de quem parte de forma tão brutal?
Enquanto a sociedade segue de luto, a dor da família de Fabrício ecoa em silêncio, e esse silêncio é um grito que todos precisamos ouvir.
“Hoje foi Fabrício, amanhã pode ser qualquer um de nós — até quando aceitaremos que a violência decida o destino de nossas vidas?”
Foto: Internet
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