Fechou sem avisar, sumiu sem pagar: trabalhadores e alunos ficam no prejuízo com encerramento de academias em Salvador
- Nilson Carvalho

- há 13 horas
- 3 min de leitura

Por trás das portas fechadas e das luzes apagadas, existe uma realidade dura que não pode ser ignorada. O fechamento repentino de unidades da rede Well Academia, em diversos bairros de Salvador, escancarou mais uma ferida aberta nas relações de trabalho e no respeito ao consumidor. Amaralina, São Rafael, Cajazeiras 8, Pernambués e Rio Vermelho amanheceram com academias fechadas — e com dezenas de trabalhadores e alunos sem qualquer explicação.
Sem aviso prévio, sem diálogo e, principalmente, sem pagamento. É assim que profissionais de Educação Física, recepcionistas, auxiliares e outros funcionários descrevem o fim abrupto de seus vínculos com a empresa. Muitos descobriram que estavam desempregados por meio de mensagens em grupos de aplicativos, uma prática desumana que revela o total desprezo pela dignidade de quem vive do próprio trabalho.
Direitos negados, famílias afetadas
De acordo com os relatos, pelo menos 30 ex-funcionários não receberam verbas rescisórias básicas, como aviso prévio, 13º salário proporcional, férias e a multa de 40% do FGTS. A situação se agrava ainda mais com a denúncia de que os depósitos do Fundo de Garantia não vinham sendo realizados há meses, além de constantes atrasos salariais.
Para quem depende do salário no fim do mês para colocar comida na mesa, pagar aluguel e manter as contas em dia, esse tipo de prática não é apenas irregular — é cruel. “Estamos todos sem receber qualquer tipo de satisfação. Procuramos os responsáveis e ninguém responde”, relata uma ex-funcionária, que prefere não se identificar por medo de represálias.
Alunos também foram enganados
O prejuízo não ficou restrito aos trabalhadores. Alunos foram surpreendidos ao encontrar as portas fechadas, mesmo após a academia continuar vendendo planos anuais nos dias que antecederam o encerramento das atividades. Imagens mostram frequentadores reunidos em frente a uma das unidades, tentando entender o que aconteceu com o dinheiro investido em saúde e bem-estar.
Essa prática levanta um alerta grave: quando uma empresa continua vendendo serviços sabendo que não conseguirá entregá-los, quem paga a conta é o povo. Falta fiscalização, sobra descaso.
Problemas antigos, consequências previsíveis
Os sinais de colapso financeiro não são novidade. Em outubro do ano passado, veio à tona que a unidade da Well na Pituba acumulava uma dívida superior a R$ 1 milhão em aluguéis. O imóvel estava ocupado sem pagamento há mais de um ano, mesmo após o fim do contrato. O despejo judicial levou ao fechamento da unidade, novamente sem aviso prévio aos alunos e com atrasos nos direitos trabalhistas.
À época, a empresa alegou cumprir determinação judicial e afirmou estar ajustando pendências com funcionários e alunos. Hoje, o roteiro se repete — mas sem respostas, sem responsáveis localizados e sem qualquer sinal de reparação.
A apuração indica que as unidades fechadas neste ano pertenciam ao mesmo gestor da academia da Pituba, que até o momento não foi encontrado para prestar esclarecimentos. O silêncio da empresa fala alto — e machuca ainda mais.
Quando empresas quebram, o povo não pode pagar a conta
Fechamentos de empresas fazem parte da dinâmica econômica, mas não podem ocorrer às custas da dignidade humana. O trabalhador não é descartável. O aluno não é ingênuo. E a sociedade não pode normalizar esse tipo de abandono.
Casos como este mostram a urgência de mais fiscalização, mais informação e mais união. Quando o silêncio prevalece, a injustiça cresce.
Comente, compartilhe e levante essa discussão. O silêncio também mata.
Por: Nilson Carvalho
Foto: Internet







Comentários