🚨 FEBRE NAS REDES OU GRITO POR SOCORRO? O QUE ESTÁ POR TRÁS DO FENÔMENO “THERIAN” ENTRE ADOLESCENTES
- Nilson Carvalho

- 20 de fev.
- 2 min de leitura

Vídeos viralizam. Máscaras, orelhas, movimentos imitando animais. Milhares de curtidas. Milhões de visualizações.
Mas por trás da estética que parece inofensiva, especialistas acendem um alerta: há sofrimento escondido onde muitos só enxergam tendência.
O fenômeno “therian”, que tomou conta do TikTok e de outras plataformas, tem gerado polêmica entre adolescentes e preocupação entre pais. Para alguns, é apenas uma fase, uma forma de expressão juvenil. Para outros, pode ser um sintoma de algo mais profundo: solidão, falta de pertencimento e ausência de acolhimento emocional.
O psicanalista e psiquiatra infantojuvenil Francisco Guerrini chama atenção para um ponto essencial: antes de julgar o figurino, é preciso entender o contexto.
Na adolescência, a identidade ainda está sendo construída. É um período de conflito interno, comparação constante e necessidade urgente de aceitação. Assim como no passado existiram tribos urbanas, hoje surgem novas formas de diferenciação. O problema não está na fantasia em si — mas no que pode estar motivando essa escolha.
👉 A pergunta central, segundo o especialista, é simples e poderosa: há sofrimento por trás disso?
Quando o jovem não encontra referência sólida dentro de casa, tende a buscar identificação fora — nas redes, nos amigos, em personagens virtuais. E é aí que mora o perigo silencioso.
Guerrini alerta que alguns comportamentos ultrapassam a dimensão lúdica. Quando há agressividade, como morder colegas ou perder a noção do limite entre brincadeira e realidade, já não estamos falando apenas de “fase”. Estamos falando de possível sofrimento psíquico.
E onde entram as redes sociais nisso tudo?
O especialista é direto: o uso excessivo das plataformas tem impacto real no cérebro. A superexposição às telas reduz o pensamento crítico, afeta a concentração e altera o funcionamento da região frontal do cérebro, responsável pelo controle de impulsos e decisões.
Traduzindo para quem não é da área:
📱 Tela demais pode significar menos reflexão.
📱 Menos reflexão pode significar mais vulnerabilidade.
📱 Mais vulnerabilidade pode significar jovens perdidos em busca de identidade.
Mas atenção: demonizar o adolescente não resolve. Proibir sem diálogo não resolve. Ridicularizar não resolve.
O que resolve é presença. É escuta. É limite com afeto. É família ocupando seu lugar de referência.
Porque, no fundo, talvez não seja sobre querer ser um animal.
Talvez seja sobre não estar conseguindo ser ouvido como humano.
A pergunta que fica é: estamos atentos ao que nossos filhos consomem — e ao que eles estão tentando nos dizer?
📢 Papo de Artista Bahia – A Voz da Cultura e Fiscal do Povo.
Por: Nilson Carvalho.
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O silêncio também mata.
Foto: Internet




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