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Exemplo de Vida: - Aos 70 anos, Desirée desafia o mar, o tempo e os limites: uma travessia que inspira gerações

Em um país onde o envelhecimento ainda é tratado como sinônimo de fim, Desirée Dalia entra no mar para provar exatamente o contrário. Aos 70 anos, a nadadora histórica da Travessia Mar Grande–Salvador fará, neste domingo (25), uma jornada solo, fora da edição oficial da prova, cruzando o percurso de ida e volta entre Salvador e Mar Grande. Não é competição. Não é pódio. É legado, resistência e amor ao esporte.

 

A travessia começa ainda de madrugada, por volta das 3h, e deve durar cerca de oito horas. Com duas embarcações de apoio, suporte médico, acompanhamento técnico e transmissão ao vivo, Desirée fará do mar um palco simbólico para encerrar um ciclo construído ao longo de mais de três décadas. Um ciclo que não fala apenas de natação, mas de coragem, disciplina e longevidade ativa.

 

Sob o olhar de um ativista social, a atitude de Desirée vai muito além do esporte. Ela toca em uma ferida sensível da sociedade brasileira: o etarismo. Vivemos em um país que descarta seus idosos, invisibiliza suas capacidades e raramente investe em políticas públicas que estimulem o envelhecimento saudável. Desirée nada contra essa maré — literalmente.

 

Economista de formação, ela iniciou sua trajetória esportiva na corrida de rua e chegou à natação quase por acaso, em 1984. Sem técnica refinada, mas com preparo físico e determinação, evoluiu rapidamente. Em 1991, encarou sua primeira Mar Grande–Salvador em meio a uma tempestade histórica. Disse que nunca mais voltaria. Voltou. E fez da travessia parte inseparável de sua vida.

 

Hoje, Desirée é recordista absoluta da prova, com 29 participações e 25 títulos de categoria. Mesmo após os 60 anos, seguiu entre as melhores, conquistando recordes nacionais e sul-americanos em piscina e enfrentando travessias longas como Itaparica–Mutá, com 16 km de percurso. Um feito que muitos jovens sequer ousam tentar.

 

Aos 70, ela segue sendo a mais velha na água — e também uma das mais fortes. Sua travessia solo não gera lucro direto, não distribui medalhas, mas gera algo muito mais valioso para o povo: inspiração real. Mostra que investir em esporte, saúde e qualidade de vida não é gasto — é prevenção, dignidade e futuro.

 

Desirée também é educadora. Há 28 anos à frente da Academia Dalia Acqua Sport, ela formou atletas, incentivou mulheres, acolheu idosos e ajudou a construir uma cultura esportiva mais inclusiva em Salvador. Seu mergulho final na Mar Grande–Salvador é um agradecimento ao mar — e um recado claro à sociedade.

 

Enquanto tantos são empurrados para o sedentarismo, para o abandono e para a invisibilidade após certa idade, Desirée escolhe nadar. Escolhe se despedir com consciência, respeito à própria história e amor à travessia que a moldou.

 

🗣️ Fica a reflexão que emerge das águas:


se ela pode atravessar o mar aos 70, o que está nos impedindo de atravessar nossos próprios limites?

 

 Comente, compartilhe e celebre histórias que inspiram. O silêncio também mata.


✍🏽 Por: Nilson Carvalho

 

Foto: Internet


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