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BALAS NO MEIO DO CAMINHO: ATÉ QUANDO A POPULAÇÃO VAI CONVIVER COM O MEDO NO NORDESTE DE AMARALINA?


Por: Nilson Carvalho – Papo de Artista Bahia

 

Mais uma tarde de terror em Salvador. Mais uma vez, o Nordeste de Amaralina virou palco de tiros, correria e medo. Viatura da Polícia Militar atingida, carro de trabalhador com os vidros estilhaçados, ruas tomadas pelo som dos disparos. E a pergunta que ecoa é a mesma que o povo faz todos os dias: até quando teremos que mostrar essas barbaridades à população como se fossem rotina?

 

Na tarde desta quarta-feira (24), policiais do 30º Batalhão realizavam patrulhamento quando se depararam com cerca de dez homens fortemente armados. Ao perceberem a presença da polícia, os criminosos não pensaram duas vezes: abriram fogo. A PM revidou, buscou abrigo e pediu reforço. Rondesp, Apolo, mais viaturas, mais tensão. O bairro parou. Moradores se esconderam dentro de casa. Crianças, idosos e trabalhadores ficaram reféns do medo.

 

Em um segundo confronto, na Rua José Inácio do Amaral, próximo à área conhecida como Casa Verde, os bandidos novamente trocaram tiros com a polícia e, mais uma vez, conseguiram fugir. Nenhum suspeito foi preso. Nenhuma resposta concreta foi dada à comunidade que vive sob constante ameaça.

 

Apesar de não haver feridos, os prejuízos materiais são apenas a face visível do problema. Uma viatura com motor e para-brisa danificados. Um carro de passeio, de um cidadão comum, com os vidros destruídos. Mas quem paga pelo trauma psicológico? Quem devolve a tranquilidade de quem sai para trabalhar e não sabe se volta vivo para casa?

 

A polícia segue fazendo seu papel, colocando a própria vida em risco diariamente. Mas o confronto constante revela algo maior: a ausência de políticas públicas eficazes que vão além da bala e da sirene. Segurança pública não pode ser apenas reação. Precisa ser prevenção, investimento social, educação, oportunidades e presença real do Estado nas comunidades — não só quando o tiro come.

 

Enquanto isso não acontece, o povo segue no meio do fogo cruzado. Segue assistindo carros serem atingidos, viaturas serem baleadas e criminosos escaparem. Segue convivendo com o medo como se fosse parte da paisagem.

 

Até quando o Nordeste de Amaralina — e tantas outras comunidades — serão lembrados apenas nas páginas policiais?


Compartilhe, comente e reflita: o silêncio também é cúmplice da violência.

 

Foto: Internet


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