BAHIA LEVA GASTRONOMIA ANCESTRAL E CULTURA AFRO-BRASILEIRA A MOÇAMBIQUE COM O PROJETO JAZZ DE PANELA

Turnê internacional promove intercâmbio cultural entre Brasil e África durante o Mercado das Indústrias Culturais e Criativas de Moçambique (MICMZ).
A cultura, a gastronomia e a ancestralidade da Bahia atravessaram o Atlântico para ganhar novos significados em terras africanas. O projeto Jazz de Panela – Arte, Gastronomia e Bem Viver para Mulheres Negras e Afro-Indígenas está realizando sua primeira turnê internacional em Maputo, Moçambique, integrando a programação oficial do MICMZ – Mercado das Indústrias Culturais e Criativas de Moçambique e a Comitiva Flotar, uma iniciativa que fortalece o intercâmbio entre agentes culturais do Brasil e do continente africano.

Durante a missão internacional, a delegação brasileira participa de uma intensa agenda de atividades que inclui visitas técnicas a museus e espaços culturais, tours gastronômicos, workshops, palestras, entrevistas, encontros institucionais e apresentações culturais, promovendo a troca de conhecimentos e o fortalecimento das conexões entre os dois países por meio da arte, da gastronomia e da economia criativa.
O Jazz de Panela nasceu na Bahia como uma iniciativa que une gastronomia ancestral, música, poesia, memória e práticas de bem viver, valorizando os saberes afro-indígenas e fortalecendo o protagonismo de mulheres negras. Em Moçambique, o projeto amplia seu alcance ao construir pontes entre territórios historicamente conectados pela ancestralidade, reafirmando a cultura como instrumento de diálogo, pertencimento e transformação social.
A missão é protagonizada por quatro artistas e profissionais da cultura baiana:

Rafaela Azevedo é chef de cozinha, empreendedora cultural e fundadora da Flor de Feijão restaurante de culinária vegetal. Sua atuação é voltada para a gastronomia como ferramenta de inclusão social, segurança alimentar, fortalecimento comunitário e geração de renda, promovendo experiências culinárias que dialogam com a identidade e a ancestralidade dos povos tradicionais.
Rose Braga é chef de cozinha afro-indígena, produtora cultural, escritora e fundadora da Casa Cria Restaurante e Hospedaria, localizada na Aldeia Hippie de Arembepe, Bahia. Reconhecida por seu trabalho de valorização da gastronomia ancestral e do turismo de base comunitária, desenvolve projetos que unem cultura, empreendedorismo, sustentabilidade e identidade afro-brasileira.

Lara Nunes É Poeta, cantora, compositora e intérprete baiana. Vocalista da banda KalunduH, sua trajetória artística é marcada pela valorização da música preta brasileira e das expressões culturais negras, utilizando a arte como instrumento de fortalecimento da memória, da identidade e da resistência. feminina
Hebert Mateus é músico, compositor e instrumentista. Com forte atuação na cena musical baiana, desenvolve um trabalho que dialoga com o público 60 mais, a música popular brasileira e as sonoridades contemporâneas, contribuindo para a preservação e difusão da musica popular brasileira

A turnê internacional do Jazz de Panela – Arte, Gastronomia e Bem Viver para Mulheres Negras e Afro-Indígenas, idealizado pela chef de cozinha e empreendedora cultural Rafaela Azevedo, proporcionou uma intensa programação de intercâmbio cultural, gastronômico e artístico entre Brasil, Moçambique e África do Sul.

A missão teve início com uma visita à histórica Casa de Nelson Mandela, na África do Sul, um dos maiores símbolos da luta pela liberdade, pela igualdade racial e pelos direitos humanos. A experiência marcou o início de uma jornada de reconexão com a ancestralidade africana e de fortalecimento dos laços culturais entre os dois continentes.
Em Moçambique, a delegação integrou a programação oficial do MICMZ – Mercado das Indústrias Culturais e Criativas de Moçambique, um dos principais encontros dedicados ao fortalecimento da economia criativa no continente africano. Durante o evento, os integrantes participaram de painéis, encontros institucionais, rodadas de intercâmbio e atividades voltadas à valorização da cultura como ferramenta de desenvolvimento social e econômico.

A programação da turnê reuniu diversas experiências que aproximaram os participantes da realidade cultural moçambicana, incluindo vivências gastronômicas, rodas de conversa, tours gastronômicos em mercados populares e feiras tradicionais, entrevistas em emissoras de televisão, visitas a museus, centros culturais e comunidades periféricas, promovendo um rico intercâmbio de conhecimentos, sabores e histórias.
Um dos momentos mais marcantes da missão foi a realização da Vivência de Bem Viver na instituição Vovó Nelly, na comunidade periférica Maxaqueni em Maputo, onde mulheres participantes do curso de costura vivenciaram práticas de autocuidado inspiradas nos saberes ancestrais brasileiros. A atividade incluiu um escalda-pés com ervas naturais, promovendo acolhimento, relaxamento, fortalecimento da autoestima e troca de experiências entre mulheres brasileiras e moçambicanas.

Outro destaque da programação foi a visita à Escola de Gastronomia ASSMA, liderada por Tassmin Mussane, reconhecida como uma importante referência da gastronomia moçambicana. O encontro possibilitou o compartilhamento de conhecimentos sobre ingredientes, técnicas culinárias, tradições alimentares e o papel da gastronomia afro brasileira e técnicas de grafismo indígena utilizando o fruto do urucum uma erva medicinal na preservação da identidade cultural.
A delegação também visitou o histórico Museu Mafalala, localizado em um dos bairros mais emblemáticos de Maputo. Reconhecida como um importante símbolo da resistência moçambicana, Mafalala preserva a memória da luta pela independência e da formação da identidade nacional, reunindo histórias de líderes, artistas e personalidades que marcaram a trajetória do país. A visita proporcionou uma profunda reflexão sobre a resistência cultural, a ancestralidade e os vínculos históricos que unem Moçambique e Brasil.

Outro momento de grande relevância da missão internacional foi a visita institucional da delegação do Projeto Jazz de Panela – Arte, Gastronomia e Bem Viver para Mulheres Negras e Afro-Indígenas à Embaixada do Brasil em Maputo, Moçambique. A comitiva foi recebida pelo secretário Júlio Cezar, diplomata do Consulado do Brasil em Maputo Moçambique, que apresentou as instalações da representação diplomática brasileira e deu as boas-vindas aos integrantes da missão.

Durante o encontro, o diplomata conheceu a trajetória de cada integrante do projeto — Rafaela Azevedo, Rose Braga, Lara Nunes, e Hebert Matheus. Em um momento de diálogo e troca de experiências, cada participante compartilhou sua história de vida, sua atuação profissional e o propósito que os levou a integrar a missão internacional.
O secretário Júlio Cezar também conheceu os objetivos do Jazz de Panela, iniciativa que promove a gastronomia ancestral, a música, a poesia e o bem viver como ferramentas de fortalecimento da identidade cultural, da valorização da ancestralidade afro-brasileira,
A visita reforçou a importância do intercâmbio cultural entre Brasil e Moçambique e evidenciou o papel da diplomacia cultural na aproximação entre os dois países. Para os integrantes da missão, o encontro representou um importante momento de reconhecimento institucional, fortalecendo o diálogo com a representação brasileira em território moçambicano e reafirmando a cultura como instrumento de cooperação internacional, desenvolvimento e construção de pontes entre povos historicamente conectados pelo Atlântico.

Ao longo da missão, o Jazz de Panela consolidou-se como uma importante iniciativa de diplomacia cultural, utilizando a gastronomia, a música, a arte e o bem viver como instrumentos de aproximação entre povos que compartilham uma herança histórica comum. Mais do que apresentar a cultura baiana em território africano, a turnê promoveu um verdadeiro reencontro entre Brasil e África, fortalecendo redes de cooperação, valorizando os saberes ancestrais e reafirmando a cultura como um caminho para a construção de pontes, oportunidades e transformação social.
A participação do grupo no MICMZ representa um importante passo para a internacionalização da produção cultural baiana. O evento reúne artistas, produtores, empreendedores criativos, gestores culturais e instituições de diversos países africanos e da diáspora, consolidando-se como um espaço estratégico para negócios, formação de redes, circulação artística e cooperação internacional nas áreas da cultura e da economia criativa.
Mais do que apresentar a gastronomia e a cultura da Bahia, o Jazz de Panela reafirma a importância do reencontro entre Brasil e África por meio da ancestralidade, dos sabores, da música e das histórias compartilhadas. A turnê fortalece os laços culturais entre os dois territórios e evidencia o potencial da cultura como ferramenta de desenvolvimento, diplomacia e transformação social.
Jazz de Panela – Arte, Gastronomia e Bem Viver para Mulheres Negras e Afro-Indígenas
Integrantes da missão internacional
Rose Braga – Chef de Cozinha Afro-Indígena e Produtora Cultural
Rafaela Azevedo – Chef de Cozinha e Empreendedora Cultural
Lara Nunes – Cantora e Compositora
Hebert Mateus – Músico, Compositor e Instrumentista
Local: Maputo – Moçambique
Realização: Projeto Jazz de Panela
Participação Especial: Comitiva Flotar e programação oficial do Mercado das Indústrias Culturais e Criativas de Moçambique (MICMZ).





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