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ATÉ QUANDO QUEM VESTE FARDA VAI SER ALVO? O TIRO QUE ROÇOU UM PM E ATINGIU EM CHEIO A INSEGURANÇA DO POVO


Por: Nilson Carvalho – Papo de Artista Bahia

 

Mais uma tarde de medo, tiros e tensão em Salvador. Desta vez, no bairro de Tancredo Neves, onde um policial militar — pai de família, trabalhador e servidor público — foi baleado de raspão durante uma ação de patrulhamento. O disparo não tirou sua vida, mas escancarou uma ferida antiga que sangra todos os dias: a violência que domina territórios e transforma quem protege em alvo constante do crime.

 

Segundo a Polícia Militar da Bahia, guarnições da 23ª CIPM realizavam rondas de rotina quando foram surpreendidas por criminosos armados. Não houve aviso, não houve chance de diálogo. Houve bala. Houve confronto. Houve o risco real de mais uma família entrar para a estatística da dor.

 

O policial atingido foi socorrido rapidamente e, graças a Deus, passa bem. Mas a pergunta que ecoa nas ruas é mais profunda e incômoda: até quando pais e mães de família que vestem farda continuarão saindo de casa sem saber se voltam?

 

O episódio gerou pânico na comunidade. Moradores correram, comércios fecharam as portas e a rotina foi interrompida pelo som dos tiros — um som que já se tornou comum demais em bairros populares. O reforço policial chegou, buscas foram feitas, mas até o fechamento desta matéria, ninguém foi preso. Mais uma vez, a sensação de impunidade paira no ar.

 

É preciso dizer o óbvio: quando um policial é atacado, não é só a corporação que sofre. É a população inteira. A ausência do Estado em políticas sociais eficazes, a falta de oportunidades para a juventude e o avanço do crime organizado criam um cenário onde o confronto vira regra e a vida humana perde valor.

 

A polícia está na linha de frente, muitas vezes com estrutura precária, salários defasados e pressão constante. Do outro lado, comunidades reféns do medo, crianças crescendo em meio à violência e famílias enterrando sonhos. Quem ganha com isso? Certamente não o povo.

 

A pergunta que fica não é apenas “quem atirou?”, mas por que chegamos a esse ponto? Segurança pública não se resolve só com viaturas e armas, mas também com investimento em educação, emprego, cultura e dignidade. Enquanto isso não for prioridade real, o sangue continuará escorrendo — de fardados e de civis.

 

Que esse tiro de raspão sirva como alerta, não como rotina.


Compartilhe, reflita e cobre: segurança pública é direito do povo e dever do Estado. Até quando vamos aceitar viver assim?

 

Foto: Internet


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