Ano Novo, Violência Velha: Mais uma Mulher Cala o Brasil com o Próprio Sangue
- Nilson Carvalho

- 3 de jan.
- 2 min de leitura

Por: Nilson Carvalho
O calendário virou, os fogos estouraram, mas a violência contra a mulher segue firme, cruel e covarde. O ano novo mal começou e a Bahia já amanhece manchada por mais um crime que escancara uma ferida aberta na nossa sociedade: o assassinato brutal de uma jovem mulher dentro da própria casa, diante do olhar inocente do filho de apenas três anos.
Em Vitória da Conquista, no bairro Patagônia, Kelli Amorim Ribeiro, de apenas 28 anos, teve a vida arrancada a facadas. Não foi na rua, não foi em um beco escuro. Foi dentro do lar, o lugar que deveria ser sinônimo de proteção, refúgio e segurança. O que houve ali não foi apenas um crime: foi uma sentença de terror que ficará marcada para sempre na memória de uma criança.
Segundo as investigações, a motivação teria sido o ciúme. Ciúme que vira ódio. Ódio que vira faca. Faca que vira morte. Um roteiro repetido, conhecido, denunciado, ignorado. A suspeita, uma mulher que já foi amiga da vítima e hoje se relaciona com o ex-companheiro de Kelli, foi presa em flagrante e confessou o crime. Mas a prisão não devolve uma vida. Não apaga o trauma. Não consola uma criança que viu a mãe morrer.
Kelli era recepcionista, ciclista, amiga, filha, mãe. Era uma mulher cheia de sonhos interrompidos por uma violência que já virou estatística, mas que nunca pode ser tratada como número. Cada mulher assassinada é o retrato de um Estado que falha, de uma sociedade que silencia e de uma cultura que ainda normaliza o controle, a posse e o ódio.
A pergunta que fica é dura, mas necessária: até quando?
Até quando mulheres seguirão morrendo por ciúmes, machismo, disputa, vingança? Até quando crianças crescerão órfãs porque o poder público não consegue agir antes da tragédia? Ano novo não pode ser sinônimo de problemas velhos. Muito menos de covardia repetida.
É urgente falar de prevenção, de educação emocional, de políticas públicas eficazes e de proteção real às mulheres. Não basta prender depois. É preciso salvar antes. Porque quando uma mulher morre, toda a sociedade falha junto.
Chega de silêncio. Chega de normalizar o absurdo.
Compartilhe, comente e levante essa voz: nenhuma mulher a menos.
Foto: Internet







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