ALAMEDA DO RIO OU ALAMEDA DA LAMA? QUANDO A INFÂNCIA PRECISA ATRAVESSAR O BARRO PARA CHEGAR AOS LIVROS
- Nilson Carvalho

- 24 de fev.
- 2 min de leitura

Por: Nilson Carvalho
“A gentileza não faz barulho, mas transforma o mundo de quem dá e de quem recebe.”
Mas o abandono faz barulho.
E ele está estampado nessa estrada.
Olhe para essa imagem.
Não é zona rural isolada. Não é cenário de filme.
É a realidade da Alameda do Rio, Capivara e Água Fria.
Buracos. Poças. Lama.
E ainda nem começou o período mais intenso de chuvas.
Essa estrada não é apenas chão de barro.
É o caminho de trabalhadores que precisam sair cedo.
É o trajeto de idosos que enfrentam risco de queda.
É a passagem de crianças que só querem estudar.
É por aqui que se chega ao Ponto de Cultura – Biblioteca Comunitária APTI, a única biblioteca comunitária que atende as crianças da região. A única porta aberta para leitura, conhecimento e oportunidade.
Agora imagine:
Como uma criança atravessa essa lama para alcançar um livro?
Como um pai de família sai para trabalhar sem se sujar, sem cair, sem danificar sua moto ou seu carro?
Como um idoso caminha com segurança nesse cenário?
Isso é o começo da estrada.
O começo.
Se agora já está assim, quando as chuvas chegarem — porque elas vão chegar — o que será daqui?
Não estamos pedindo asfalto de luxo.
Estamos pedindo o mínimo: cascalho, solo brita, dignidade.
Será que vamos esperar um acidente?
Será que vamos esperar a biblioteca fechar por falta de acesso?
Será que a única biblioteca comunitária de Camaçari terá que encerrar atividades porque a estrada virou lama?
Hoje o Pastor Vidal precisou enfrentar toda essa lama para chegar à APTI. Não foi apenas um trajeto difícil — foi um retrato do abandono que a comunidade vive todos os dias. Enquanto alguns enxergam apenas barro, nós vemos o esforço de quem não desiste da educação, da fé e da esperança.
Assista o vídeo!!!
Até quando vamos viver assim? Até quando a dignidade precisará atravessar a lama para cumprir sua missão?
O Papo de Artista Bahia – A Voz da Cultura e Fiscal do Povo não nasceu para se calar. Estamos mostrando. Estamos cobrando. Estamos dando voz.
Porque quando a estrada impede o acesso à educação, não é só o barro que cresce — é o atraso.
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O silêncio também mata.
Se o poder público não pavimenta a estrada, que a sociedade pavimente a consciência — porque a omissão também afunda sonhos.
Foto e vídeo: Pr. Pastor Vidal vice-presidente do Ponto de Cultura – Biblioteca Comunitária APTI




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