“23 ANOS DE LUTA E ABANDONO: A APTI RESISTE SOZINHA PARA NÃO DEIXAR A CULTURA MORRER EM CAMAÇARI”
- Nilson Carvalho

- 9 de mai.
- 3 min de leitura

Sem apoio do poder público, associação transforma vidas há mais de duas décadas e faz um apelo urgente contra o silêncio e o esquecimento
APTI — Enquanto muitos projetos culturais fecham as portas por falta de apoio, a APTI — Associação Artes para Todas as Idades — segue resistindo há 23 anos em Camaçari. Sem recursos suficientes, enfrentando dificuldades diárias e praticamente esquecida pelo poder público, a associação continua transformando vidas através da arte, da música, da educação e da cultura popular.
No coração dessa batalha está o Centro de Cultura e Biblioteca Comunitária Paulo Aurélio Venturoli, espaço que se tornou símbolo de acolhimento, aprendizado e esperança para crianças, jovens, adultos e idosos da comunidade.
Todos os sábados, o local ganha vida com as aulas de bateria — muito mais que simples encontros musicais. São momentos de convivência, inclusão, disciplina e construção de sonhos. Ali, a arte funciona como instrumento de transformação social, afastando muitos jovens da vulnerabilidade e aproximando pessoas da cultura e da cidadania.
Mas por trás de cada atividade existe uma realidade dura: manter um projeto vivo por mais de duas décadas sem apoio adequado é um verdadeiro ato de coragem.
“Com toda dificuldade, sem nenhuma ajuda do poder público, a APTI há 23 anos vem nadando contra a maré. Só Deus sabe o quanto.”
A frase resume o peso carregado diariamente por quem acredita que cultura não é luxo — é necessidade, identidade e direito do povo.
MÃES QUE SONHAM COM UM FUTURO MELHOR PARA SEUS FILHOS
Na zona rural e nas comunidades mais simples, muitas mães ainda acreditam que a cultura pode salvar seus filhos da violência, das drogas e da falta de oportunidades. Elas sonham em ver seus filhos aprendendo, crescendo e construindo um futuro digno através da arte e da educação.
Mas a cada dia que passa, esse sonho fica mais difícil de ser mantido.
Sem apoio, sem investimentos e sem incentivo verdadeiro, projetos como a APTI lutam para sobreviver. E quando a cultura enfraquece, quem sofre primeiro é justamente a população mais carente, que encontra nesses espaços uma chance real de esperança e transformação.
🚨 ALERTA: O SILÊNCIO TAMBÉM MATA
A resistência da APTI emociona, mas também preocupa. Cada dia sem apoio representa um risco para a continuidade de um trabalho que impacta centenas de vidas.
O que muitos não enxergam são as noites sem dormir, os esforços voluntários, os recursos improvisados e a luta constante para manter portas abertas. Cultura não acontece sozinha. Ela depende de pessoas que insistem em cuidar, ensinar e acreditar.
O Centro de Cultura e Biblioteca Comunitária Paulo Aurélio Venturoli não é apenas um endereço. É memória, resistência e pertencimento. Um espaço onde a arte acolhe sem distinção e mantém viva a esperança de uma comunidade inteira.
CULTURA É DIREITO, NÃO FAVOR
A cultura é um direito garantido por lei. O poder público tem o dever de incentivar, apoiar e fortalecer projetos como a APTI, que há 23 anos realiza um trabalho essencial para o desenvolvimento humano e social de Camaçari.
Quando esse apoio não chega, toda a sociedade perde:
perde oportunidades;
perde identidade;
perde educação;
perde futuro.
A APTI provou ao longo de mais de duas décadas que é possível resistir. Mas resistir não deveria ser a única opção. É preciso reconhecimento, investimento e compromisso com quem mantém viva a cultura popular.
“Há 23 anos, a APTI segue de pé graças à força da arte, sustentada principalmente pelas obras da Galeria Nilson Carvalho e pela solidariedade de amigos que acreditam nesse trabalho e contribuem com doações para manter viva essa missão cultural.”
Porque o silêncio também mata.
E o silêncio diante da luta da APTI pode colocar em risco um dos maiores patrimônios culturais e sociais da nossa região.
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O silêncio também mata.
Por Papo de Artista Bahia & Tvbahia3 – A Voz da Cultura e Fiscal do Povo
Por: Nilson Carvalho
Foto: Professor Laércio
















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